
A indizivel arte de saborear charuto
Paulo Maldonado
Durante sua evolução o bicho
homem adquiriu hábitos curiosos. Impossível contar
as práticas que se perderam na caminhada, sem chance de
registro. Outras, no entanto, fontes de prazer supremo, tornaram-se
permanentes, como o consumo de tabaco.
Todo mundo sabe que Colombo chegou em Cuba,
em 1492 e observou "que hay indígenas que fuman unas
hojas enrolladas de tabaco". Eis a explicação
para o slogan do governo cubano em seus charutos sob a marca LA
CASA DEL HABANO "únicos desde 1492". História
à parte, é recente a constatação de
filósofos e cientistas sobre a importância do supérfluo
para a humanidade, mais voltada para a satisfação
de seus sonhos e desejos do que para o considerado como necessidade.
Por isso, vou logo avisando que fumar charuto
não tem nada a ver com vício, onde a necessidade
irracional se impõe. Diz respeito ao prazer, à satisfação
dos sentidos: olfato e paladar unidos no sabor; visão na
escolha única e individual do charuto e na fumaça,
brasa, cinza, mutáveis a cada baforada; tato no manuseio
de antes e durante o fumar, com a temperatura variando entre os
dedos; e, por final, audição - não, não
estou maluco - deve-se degustar charutos somente com boa música,
em silêncio ou em condição de conversa ideal.

Dizem que charuto é hábito
snob e caro. Puro preconceito. É sofisticado, sem dúvida,
mas acessível a qualquer mortal, que ultrapasse o nível
da mera subsistência social. Para exemplificar, peço
que comparem nosso herói a dois produtos comuns, café
e vinho e respondam quem conhece quem esteve perto de uma xícara
de "Jamaica Blue Mountain", considerado o melhor café
do mundo ou de uma taça de "Romanée-Conti"?
Os melhores havanas do universo estão ao nosso alcance
a partir de US$ 10.00.
Termino falando do ritual que prefiro
para a fruição da indizível arte: saborear
o charuto enquanto se desenrola conversa amena, vária e
descompromissada, como ocorre sempre aqui no Rio, na Charutaria
Esch, à mesa do advogado Mario Rubens Mello Filho.
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