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Marqueteiros e Mercadólogos. Enio Carvalho.

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Cinco textos sobre marketing, por J.Roberto Whitaker Penteado.

Como o marketing explora as crianças.

O Festival de Cannes é uma farsa?

Esplendor e Glória das Agências de Publicidade.

Um velho debate: propaganda é arte

As relações incestuosas entre
propaganda e  jornalismo.

Maurice Levy. CEO do Grupo Publicis,
diz numa palestra por que as previsões
dão errado. (Texto em inglês).

Quer saber como se faz marketing
político para ganhar uma eleição?

MARQUETEIROS E MERCADÓLOGOS

(*) Enio Carvalho

Há muito tempo participamos de uma Cruzada pela valorização e reconhecimento do verdadeiro trabalho dos profissionais de marketing, que tendo concluído um curso de especialização, pós-graduação ou mestrado trabalham em ou para empresas que necessitam dos seus serviços.


Como qualquer outra atividade do planeta existem também nessa nova e potencial crescente profissão a presença de pessoas que auto-intitulando-se de "experts" no assunto não passam de espertos e aproveitadores de plantão. Por isto criamos em 99 o Núcleo dos Profissionais de Marketing da Bahia que reúne hoje 40 participantes sendo alguns consultores, outros professores, outros gerentes de marketing e alguns proprietários de empresas.
Preocupa-nos e porque não dizer, algumas vezes revolta-nos a visão estrábica que se tem da nossa atividade, principalmente por parte daqueles que formam a opinião pública.


Não são poucas as vezes que constatamos o mau uso da palavra marketing, ora confundida como elemento de promoção, ora como algo que é feito para vender enganando pessoas. Visando colocar definitivamente os pontos nos i i i's, gostaríamos de contribuir para clarear melhor todo esse estrabismo existente.


De forma desavisada, cunhou-se na década de 80 e 90 o termo marqueteiro para denominar os publicitários que trabalhavam para eleger políticos. Era tudo o que alguns desses queriam, ou seja, um novo nome para ações antigas. Sim, porque desde a eleição de Juraci Magalhães - se não me engano na década de 50, que se faz jingle, cartaz, folhetos para eleger candidatos. O que não tinha eram outras mídias fortes como a TV e o outdoor. Logo, tudo que aqueles faziam, esses atuais o fazem. Ocorre que esses usam o nome de marqueteiros. Talvez sejam mesmo. Porque são episódicos. Ajudam a fazer apenas uma vez os Valdirs, os Pittas, os Malufs, os Collors, enfim, aqueles que só enganam uma vez.
Quando na realidade, o verdadeiro profissional de marketing, ou o mercadólogo, não faz ninguém. Ele ajuda a posicionar produtos ou serviços corretos, criando alianças duradouras com os clientes.

O profissional de marketing trabalha com pesquisas antes, durante e depois que seus produtos são lançados, porque sabe que o mercado mudou e está mudando a cada momento, inexistindo chances de perpetuação para charlatanismos ou passageiros da alegria.


O verdadeiro mercadólogo repudia o protecionismo e as alquimias dos marqueteiros. Ele sabe que o mundo é feito de clientes e os respeita desejando fidelizá-los. Ele sabe que é preciso posicionamento e foco nas suas estratégias e táticas.


Logo, usar tecnologia e mídia não quer dizer que se faz marketing. O marketing que conhecemos torna a arte de vender desnecessária, porque quando se usa corretamente os fundamentos básicos dessa filosofia, você não vende, os clientes é que compram.


O marketing tem quase 50 anos no Brasil e veio para ficar. Tal qual outras atividades de apoio como a de contadores e advogados, vai ter muita vez daqui em diante, ou seja, vai ter que ser requisitado por qualquer empresa que quiser sobreviver e perpetuar. Quer seja, internamente ou através de consultores, as empresas terão que ter profissionais de marketing capacitados e preparados para buscar soluções que possam atender e entender o mercado.
As empresas hoje não têm "contadeiros" ou "advogadeiros" não é mesmo? Logo, também não podem ter marqueteiros. Esses últimos buscam apenas vender uma vez, normalmente enganando o consumidor ou eleitor. O profissional de marketing não. Por isso mesmo é que a pós-venda visando manter os clientes conquistados é tão ou mais importante do que a venda em si.


Que todos, principalmente as empresas se conscientizem disso. Há uma separação abismal entre estes e aqueles, ou seja, entre mercadólogos e marqueteiros Não estamos todos no mesmo barco. Do lado de cá há muito profissionalismo, consideração e busca de resultados como uma visão humana. Do outro lado há apenas um desejo de acertar alvos apenas uma vez nem que seja pilotando aviões com objetivos escusos.

 

(*) Enio Carvalho é administrador, Consultor de marketing e membro do Núcleo dos Profissionais de Marketing da Bahia.