Helio Silveira da Motta, ícone da publicidade brasileira.Por Francisco Socorro.

A publicidade brasileira está precisando de um líder antivírus. Por Francisco Socorro.

O Deus da Criação, de Adilson Xavier. Por Celso Japiassu.

O preço da dignidade. Por Humberto Mendes.

Eu nunca entendí nada de publicidade. Por Aline Santos.

Publicidade: da criatividade ao negócio financeiro. Por Celso Japiassu.

Mainstream na comunicação de marketing. Por Francisco Socorro.

A agência de publicidade e a crise ética. Por Celso Japiassu

Atender ao cliente não é tirar o pedido. Por Flavio Martino.

Os truques do marketing para você comprar o que não pediu. Por Celso Japiassu.

A fala de Strozenberg no Prêmio Comunicação 2003.

Ignacio Ramonet mostra os perigos da concentração da Midia.

Ricardo Vieira põe o dedo na ferida dos publicitários: "O cliente criativo".

Pesquisa via internet na TV: uma opinião que não vale nada. Por Glaucio Binder.

O risco do negócio. Como o anunciante pode liquidar com o trabalho da agência. Por Celso Japiassu.

Comunicação e Liberdade, discurso de Armando Strozenberg.

Marqueteiros e Mercadólogos. Enio Carvalho.

Sexo e mercado. O corpo humano em liquidação. Celso Japiassu

Cinco textos sobre marketing, por J.Roberto Whitaker Penteado.

Como o marketing explora as crianças.

O Festival de Cannes é uma farsa?

Esplendor e Glória das Agências de Publicidade.

Um velho debate: propaganda é arte

As relações incestuosas entre
propaganda e  jornalismo.

Maurice Levy. CEO do Grupo Publicis,
diz numa palestra por que as previsões
dão errado. (Texto em inglês).

Quer saber como se faz marketing
político para ganhar uma eleição?

Homenagem em 2003.

O discurso de Armando Strozenberg.

 

Senhores Homenageados
Caríssimos colegas desta profissão tão fascinante
Senhoras e Senhores


Vivemos momentos especiais em nosso país neste reencontro com as perspectivas que pareciam ameaçadas, ou, para os mais pessimistas, definitivamente perdidas. O que havia despertado a autoconfiança - a criação de uma moeda forte, especialmente - esvaía-se a cada dia com a ciranda das profecias do caos que parecia ser o nosso destino. Com a economia deteriorando-se, era quase inevitável o reingresso no passado, no tempo em que a inflação determinava a nossa história pessoal e impunha-se como mecanismo de destruição da nacionalidade.

Há alguns meses - há menos de 1 ano - pouco ou nada restava de esperança até mesmo entre nós da propaganda, cuja ideologia tem base na crença do ser possível mudar as coisas, convencendo os homens, tornando-os cidadãos porque consumidores responsáveis de bens, serviços - e valores.
Faltava-nos até, naquilo que se anunciava como a véspera do trágico, o ânimo de responder com criatividade, mostrando saídas e buscando respostas para um enigma que parecia devorador.

Não estamos em fase de prosperidade. Apenas afastamos os agouros. Há crise, e precisamos entendê-la, porque atinge o que temos de mais importante em termos de cultura.

A começar por aquela que, generalizadamente, pesa sobre os veículos de comunicação, cujas modernas estruturas e ousadas iniciativas de criatividade, não conseguiram impedir a fragilização determinada por uma economia dependente de agentes muitas vezes anônimos e voláteis demais.

Já se disse, e digo-o com a dor de quem vê a cada instante um novo gesto de violência neste estado, que a insanidade aqui no Rio deve ser sinônimo de luto no Brasil.

Ou, parodiando um anúncio criado pela minha agência nos anos 80, não hesitaria em afirmar hoje que quando o Rio sofre, o Brasil deveria gritar. Não dá para separar o Rio de São Paulo. Nem São Paulo do Brasil. Nem o Brasil do Brasil.

Seria só uma questão de crescimento com melhor distribuição de riquezas? Nossa economia cresce pouco, muito pouco, diante do acumulado de misérias, especialmente no que se perdeu em vagas no mercado de trabalho, o primeiro alimentador dos desencontros sociais que desaguam na violência. Lembro, porém, que em 2002 o PIB do Rio cresceu 5,1%, bem mais que os 1,5% da economia nacional. E até 2005 a FIRJAN prevê quase 33 bilhões de dólares em investimentos novos no Estado do Rio.

Como se percebe, não dá para ser simplista nesta matéria.

A violência de agora, esta violência despropositada em ousadia, tem outros alimentadores, como o endeusamento dos mitos - e muitos, infelizmente, nós, da área de comunicação, ajudamos a construir. Disse Rubens César Fernandes, lúcido estudioso do nosso drama, que a violência, praticada por gente que vive em média até os vinte e poucos anos, é mais que um business. É um exercício de poder que violenta a liberdade do homem, especialmente do mais simples, nesta divisão de território urbano pelo grito e pelas armas que alimentam um negócio internacional macabro.

Há projetos, bons e discutíveis, ousados e tímidos. Projetos com paternidade e de geração espontânea, fruto da necessidade do momento. Gosto especialmente de saber que o Presidente da República, fiador da esperança desta maioria formidável que lhe delegou o mandato, não se importa com a autoria de projetos, deseja as reformas, porque sem elas - discutidas à exaustão - as portas do futuro estarão fechadas.

Nós da publicidade, temos um compromisso duplo com o que está sendo proposto ao país. Somos a ponta que pode ajudar a convencer, levando a mensagem ética e correta, para que, com independência e patriotismo - sim, patriotismo, palavra que precisa ser resgatada dos dicionários - cada um possa, sobrepondo-se ao interesse pessoal e egoístico, manifestar-se sobre o que está sendo proposto.

Queremos ser livres, mesmo que a liberdade custe conviver com o mau humor, a teimosia e as peraltices do radicalismo.

Queremos desenvolvimento que represente muito mais do que fomos capazes de fazer até hoje contra esta banalização do cotidiano a que fomos lançados.

A ABP, que há 34 anos tem a sensibilidade de destacar apenas 2 pessoas e 3 empresas para receber o Prêmio Comunicação, este ano escolheu um mágico publicitário plantador de votos, como Personalidade do Ano; um semeador pioneiro de coisas brasileiras em muitos cantos do mundo, na Homenagem Especial; uma empresa de comunicação publicitária que une competência, cordialidade e criatividade, como Agência do Ano; uma ousada experiência de formatação em matéria de jornalismo permanente, como Veículo do Ano; e uma consistente e revigorada história de comunicação de um conglomerado brasileiro, como Anunciante do Ano.

Estes homenageados têm em comum trajetórias densas que, é claro, não se limitam ao que realizaram em 2002. Pois cada um deles estabeleceu com os cidadãos-consumidores singularidades marcantes que, com muito orgulho, a Associação Brasileira de Propaganda faz questão agora de dividir com todos vocês que, de forma tão representativa, aqui vieram prestigiá-los.

 

H. Stern

 

Quando o nome de H. Stern foi posto como candidato à Homenagem Especial do Prêmio Comunicação 2002 à Diretoria e aos Conselhos da ABP, a reação foi uníssona.

- Armando, a tradição sempre indicou que a Homenagem Especial só deveria ser feita a pessoas físicas.
- Mas o homenageado é Hans Stern, respondi.
- Quer dizer que o H. Stern existe?

A ficha caiu para todos. E o voto foi unânime.

De fato, Hans Stern, ou H. Stern, é antes de tudo um nome que pela discrição pessoal nunca frequentou ou frequenta as páginas que tornam as pessoas famosas. Ao contrário, como brasileiro, como tantos outros imigrantes formados no trabalho, conseguiu, como raríssimos conseguiram, espalhar com a arte na qual se criou, uma imagem brasileira de beleza em vários recantos do mundo, da sofisticada Fifth Avenue a 80 outros endereços internacionais. Todas com a marca Brasil na vitrine.

Hans Stern nasceu na Alemanha há 81 anos. Pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, escapou do Holocausto ao conseguir mudar-se com a família para o Brasil, em 1939.

Quando seu pai, engenheiro eletricista, tornou-se gerente de uma usina elétrica, no Estado da Paraíba, nordeste do Brasil, ele preferiu ficar no Rio, onde trabalhava desde os 17 anos numa empresa exportadora de minerais e pedras preciosas.

Era um trabalho que o fascinava e que lhe permitiu conhecer o mundo dos minérios e das pedras brutas, bem como as pessoas que se dedicavam à atividade. A perícia dos garimpeiros e lapidadores o impressionava muito. Em sua tarefa de compra e venda de pedras preciosas, fazia viagens freqüentes pelo interior do Brasil, a cavalo ou jumento, dormindo a céu aberto, rodeado pela natureza. Havia emoção e aventura, como na ocasião em que foi surpreendido, à noite, pela cheia de um rio, repleto de jacarés.

A sua própria companhia nasceu em 1945, numa pequena sala do centro do Rio de Janeiro. Com capital de apenas 200 dólares, e 23 anos de idade, deu início aos negócios de compra e venda de pedras.

As iniciativas pioneiras de H. Stern começaram pela exploração das pedras de cor - em especial água-marinha, topázio, turmalina e ametista - uma das maiores riquezas brasileiras e que permaneciam pouco aproveitadas até os anos 50 do século passado.

Ao perceber que estas pedras podiam competir, em beleza e valor, com pedras orientais - como o rubi, a safira e a esmeralda - Hans Stern decidiu dar-lhes o tratamento que lhes cabia: o de pedras preciosas. Convidou ourives e lapidários especializados, também vindos da Europa, para ajudá-lo na tarefa de ampliar a produção brasileira de jóias finas.

Paralelamente, introduziu um sistema de produção e comercialização de jóias até então inédito no país, que engloba todas as fases de produção: da pesquisa nas fontes produtoras - incluindo o financiamento de garimpos - à lapidação e venda direta ao consumidor final.

O grande salto veio com a encomenda que recebeu de um presidente de país latino-americano para criar e fabricar um colar de águas-marinhas, avaliado então em 22 mil dólares.

Conhecido e respeitado, H. Stern partiu para a conquista de novas frentes. Iniciou uma eficaz e permanente pesquisa de materiais, trabalhando com gemas das mais diversas origens e todos os tipos de metais nobres, do ouro à platina. Os desenhos passaram a valorizar também diamantes, pedras preciosas, pedras foscas e matérias de origem orgânica, como a pérola, o coral e o ébano.

Outras iniciativas de H. Stern: a introdução dos desfiles de jóias no Brasil, a criação de novos padrões de assistência técnica, o lançamento do primeiro relógio de pulso elétrico no Brasil, a abertura da primeira escola de ourives do país, destinada a jovens de 14 a 17 anos e o lançamento de coleções assinadas por personalidades de renome internacional, como a atriz Catherine Deneuve, e nacionais como o artista plástico Roberto Moriconi, o arquiteto Sig Bergamin, a jornalista e estilista Costanza Pascolato, o cantor e compositor Carlinhos Brown, a artista plástica Ana Bella Geiger e os designers Humberto e Fernando Campana.

Apaixonado pelo Rio, onde mora e do qual é Cidadão Honorário desde 1956, é casado com Ruth há 45 anos, e com quem produziu os seus quatro R's - Roberto, Ricardo, Ronaldo e Rafael.

A dois deles coube a tarefa de dar continuidade ao seu projeto.

O que não impede a Hans de, todos os dias, às 8h30 em ponto, assumir o seu lugar no icônico edifício-sede de 14 mil metros quadrados que a empresa ocupa em Ipanema. E, vez ou outra, sentar-se à banca de polimento de jóias para não perder a habilidade manual.

Seu tempo livre dedica a leituras, natação, música clássica ou a revisitas às suas coleções de selos e turmalinas raras - a maior do mundo.

É provavelmente nestes momentos que deve relembrar, com orgulho, de alguns desses feitos que permitiram à sua organização manter um estoque médio de 300 mil peças, produzir 20 mil novas mensalmente, dar emprego a 3.400 pessoas, 2.900 no Brasil e 500 no exterior, das quais 600 são artesãos (ourives, lapidadores e cravadores).

Além de ter criado as condições para que os seus sucessores lançassem o novo facing da empresa nos outros 90 endereços da marca no Brasil, que aliás já é a mais desejada entre as joalherias, segundo recentíssima pesquisa Vogue/Interscience com consumidores de alta renda.

É, portanto, sem favor nenhum que a ABP declara este homem, que tanto acreditou e acredita em marketing, propaganda e no Brasil, o Homenageado Especial do Prêmio Comunicação 2002.

 

Lew, Lara

 

Traduzida em dados objetivos, a Agência do Ano do Prêmio Comunicação 2002 da ABP foi fundada há 11 anos, atende 22 clientes, é uma das 20 maiores agências do país, mantém quase 100 profissionais nos seus escritórios de São Paulo e, mais recentemente, também do Rio.

Só nestes últimos três anos, ela conquistou 12 novas contas, entre as quais Revlon, Hering, Topper da Alpargatas, Kia Motors, parte da Tim e da Natura, e Pernambucanas. Contas que se juntaram às mais antigas como parte do Banco Real, Governo de Aruba, Hotéis Transamérica, Nokia e Warner Brothers.

Mas por trás, pela frente, de cima, de baixo, no epicentro desta agência existem dois profissionais que muito justamente formam, e fazem, o seu bom nome - Lew, Lara.

Lew é Jacques Lewkowicz, nascido há 59 anos no bairro do Bom Retiro, na época reduto da comunidade judaica de São Paulo. E é de lá que ele diz ter trazido para a propaganda brasileira os mesmo traços que inspiraram Groucho Marx, Woody Allen, Berta Loran, Juca Chaves e tantos outros herdeiros do antológico humor judaico. Nos seus trinta e muitos anos de carreira, Jacques não só foi, e é ainda, ótimo ator de comerciais, como também são de sua produção criativa alguns dos mais saborosos bordões da nossa propaganda.

Criada aqui no Rio, quem não se lembra da campanha dos cigarros Vila Rica, que terminava com o tricampeão do mundo, Gérson, perguntando: "Gosto de levar vantagem em tudo, certo?" Mesmo tendo se transformado na Lei de Gérson, que hoje designa todo tipo de malandragem, a frase é um troféu que todo criador de publicidade gostaria de carregar. Outro antológico bordão criado por Jacques foi o do Efeito Orloff ("Eu sou você amanhã") que alertava o consumidor sobre a importância de escolher certo a sua bebida e evitar a ressaca do dia seguinte. E o que dizer desta outra pequena obra prima: "Não é a Lee que é diferente, as outras é que são iguais".

Nada mais justo, portanto, que Jacques tenha sido indicado um dos dois jurados brasileiros de Press & Poster no próximo Festival de Publicidade de Cannes que começa em 15 dias.

Lara, o Luiz Lara, é o seu alter ego perfeito. 29 anos mais novo, alto, organizado, efervescente, workaholic, polido, trabalhador, enfim, o genro que toda sogra paulistana gostaria de ter como filho.

Antes da Lew, Lara, sua carreira foi sempre pontuada pelo Marketing e pelo Turismo. Vice-Presidente da Paulistur, da cidade de São Paulo, Luiz foi o responsável por projetos de bom padrão, tais como o Passaporte São Paulo, a criação de ruas voltadas para temas musicais (Rua do Samba, Rua do Choro, Rua da Batucada), participações em feiras no exterior e a produção de eventos populares, como a série Sinfonias nos Parques.

Como Diretor de Marketing da Embratur, Luiz administrou projetos especiais, como o Passaporte Brasil, programas turísticos voltados para a terceira idade e a inclusão da ecologia no vocabulário do trade turístico nacional.

Na sua gestão, foram desenvolvidas diversas campanhas publicitárias sobre o Brasil no exterior, em parceria com companhias aéreas e administradoras de cartões de crédito.

Hoje, Luiz Lara também empresta seu tempo à Associação Brasileira de Marketing e Negócios e ao Capítulo São Paulo da ABAP-Associação Brasileira de Agências de Publicidade, das quais é presidente recém-eleito.

Lew e Lara, ou Jacques e Luiz, depois de um início complexo e difícil, como são os das trajetórias sólidas, associaram-se à holding Prax e vêm construindo de forma segura e gradual uma empresa que equilibra postura empresarial, sensibilidade às demandas de seus clientes e desempenho de muito bom nível na criação de suas campanhas. Que se consolidou com grande visibilidade no ano passado.

O título de Agência do Ano do Prêmio Comunicação 2002, portanto, não poderia estar em melhores, quatro, mãos.

 

Bandnews


Até por ser momento de renovação de expectativas, a ABP decidiu premiar como Veículo não o maior, o mais importante ou o que tenha a história mais rica. Quer destacar o futuro, que parece ser o que está ocorrendo nos canais fechados da televisão em todo o mundo, e especialmente aqui. É tornar o telespectador senhor de seu tempo.

A BandNews, com apenas dois anos de uma operação 100% voltada para o jornalismo, concebida dentro de um conceito digital, já conseguiu construir uma identidade bem definida, dentro de um modelo econômico e de gestão perfeitamente sintonizado com os pesados tempos que a mídia enfrenta no mundo inteiro.

O nosso Veículo do Ano 2002 conquistou a fidelidade de cerca de 1 milhão de assinantes que conferem suas informações minuto a minuto.

Isto por que o seu funcionamento se diferencia tanto da TV aberta, cujo telespectador persegue a informação nos horários preestabelecidos, como dos demais canais por assinatura, que também oferecem blocos de notícias mas intercalados com programas sem compromisso com as hard news. Na BandNews, o telespectador tem acesso imediato às últimas notícias, além de informações contínuas sobre os mercados financeiros, por exemplo.

Além da distribuição via cabo e MMDS pelos associados da NEOTV, que inclui as operadoras TVA, Cambras, MaisTV, Horizon, somadas às mais de 300 operadoras independentes, a BandNews também chega aos assinantes da DirectTV via DTH.

Recentemente ela foi além: via aluguel do seu conteúdo ao site BrTurbo, da Brasil Telecom, a BandNews chega também a cerca de 300 mil terminais de computadores, aqui e no Exterior. Criando, assim, a figura do telenauta ou do interespectador, cujo único esforço é maximizar a tela e aumentar o som quando uma informação exibida lhe interessa.
Dentro do trinômio "diferente, melhor e especial" e sob a cuidadosa liderança de João Carlos Saad e Roberto de Oliveira, a BandNews inovou também ao eliminar as fitas de gravação na medida que todo o conteúdo exibido pelo canal é armazenado em servidores que são conectados às ilhas de edição não-linear.

A registrar, com prazer, a qualidade, o charme e a simpatia de seus 60 profissionais, entre técnicos e jornalistas, que atuam como personagens multimídia no glass-studio instalado na sede da Rede Bandeirantes de Televisão, em São Paulo.

Fato que estamos podendo confirmar, ao vivo, com a presença neste palco da jornalista e apresentadora Letícia Levy que o Rio (e a minha família) emprestam diariamente aos telespectadores do Veículo do Ano do Prêmio Comunicação 2002.

 

Bradesco

 

Só na semana passada, foram agregadas as 220 agências do Mercantil de São Paulo; nos próximos 60 dias serão as 440 do BBVA Brasil e até o final do ano as do BCN. Final do processo: 3.450 agências, além das 5.300 que o Banco Postal somará ano que vem. Total: 8.750 pontos de atendimento.

Contas de poupança: 29,4 milhões

Cartões de crédito: 6,1 milhões

Clientes no Internet Banking: 4,7 milhões

Ativos Totais: R$ 142,7 bilhões

Depósitos: R$ 56,3 bilhões

Máquinas de auto-atendimento: 21.210

Nº de transações por dia: 9,3 milhões

Produtos vendidos anualmente: 60 milhões

Nº de atendimentos telefônicos: 229 milhões/ano

75 mil empregados

Seis vezes Grand Prix de site na votação popular do iBest.

A maior taxa de expansão de carteira de crédito desde o início do Plano Real: 470% contra 80% na média do mercado brasileiro.

O maior administrador de fundos do país, no segmento de varejo, segundo o ranking Top Asset da revista Investidor Institucional.

O melhor administrador de fundos de investimento no Brasil, pela revista Exame.

Melhor banco brasileiro de 2002 e o maior banco privado da América do Sul, para a publicação Latin Finance.

Nº 1 do setor financeiro privado brasileiro.


O maior grupo privado do Brasil, segundo Melhores & Maiores da Exame e Anuário Valor Grandes Grupos.

Contas correntes: 16 milhões. Isto é: 1/3 dos brasileiros que têm conta em banco

Na área social:

Investimentos em educação previstos para 2003: R$ 128 milhões.

Escolas mantidas pela sua Fundação: 38. A 39ª abre este ano em Boavista, Roraima, completando a presença em todos os estados do Brasil.

Nº de alunos: 103 mil (estudando gratuitamente)

Eventos promocionais e comunitários em 2002: 561


Como explicar esta magnificência?

"Só o trabalho pode produzir riquezas". A mensagem-síntese que adotou na construção da sua sede, a Cidade de Deus, em Osasco, é uma bela pista para se entender por que e aonde chegou em 60 anos o Bradesco, uma organização 100% brasileira nascida em Marília, Estado de São Paulo, em 10 de março de 1943.

Sem perder a simplicidade do modelo criado por Amador Aguiar, um visionário que mudou o nosso sistema bancário, o Bradesco é líder há 50 anos. (Aqui cabe assinalar que, das 500 maiores empresas do mundo, apenas 200 permanecem nesta lista após 30 anos.)

O nosso Anunciante do Ano é um exemplo precioso de empresa que soube, e sabe, crescer com segurança e conservadorismo. Como disse em recente entrevista o seu Diretor-Presidente, no Bradesco "convivem espírito de pioneirismo, de superação e de trabalho, com valores como camaradagem e cooperação". E, como bem resumiu o Presidente do seu Conselho, "contar a história do Bradesco é contar também, em paralelo, uma história de amor à cidadania".

A tudo isto acrescentamos nós da ABP: o Bradesco, há muitos e muitos anos, é um dos maiores anunciantes do país. Sua relação com a indústria da propaganda prima pela ética e exemplaridade. Seus vínculos com as cinco agências que o atendem são sólidos, longevos e de alto nível.

Nos últimos anos, o Bradesco tornou-se também, sob a visão de marketing de José Carlos Perri, um dos melhores anunciantes do país. Processo que se iniciou com a adoção de nova identidade visual e cresce na mesma medida que aprimora cada uma de suas campanhas.

Eis por que é um privilégio para a ABP consagrar o Bradesco como o Anunciante do Ano, justamente quando os seus 60 anos cruzam com o novo brilho da comunicação de seus produtos e serviços.

 

Duda Mendonça

 

A carreira de José Eduardo Cavalcanti de Mendonça começou muito antes de se transformar no homem de criação publicitária que fez história por criar a linguagem que deu valor ao horário de propaganda gratuita - esta inovação brasileira no direito à população de ser informada.

A pré-história de Duda começa na Bahia. Sim, por que Duda antes de ser Duda foi aluno de faculdade de Administração, corretor de imóveis (muito bem sucedido, aliás) e cliente de agência. Só em 1975 é que o mercado publicitário do eixo Rio-São Paulo se vê atraído pelo trabalho de uma agência de Salvador.

Era a DM9, criada e presidida por Duda.

Quem não se lembra, por exemplo, da memorável campanha "não basta ser pai, tem que participar", feita para Gelol? Ou das ousadas peças regionais criadas para as lojas Tio Corrêa, para as Óticas Ernesto e para o Iguatemi de Salvador.

Que lhe garantiram, além da admiração dos colegas, vários Leões em Cannes, Clios em Nova Iorque, além dos mais importantes prêmios nacionais.

Pois é. Mas em 1991, Duda vende a DM9, com nome e tudo, para outro baiano (seu ex-estagiário, um pouco mais histriônico mas quase tão porreta quanto). E cria a Duda Mendonça & Associados, herdeira de seu currículo, sua experiência e de seus melhores profissionais.

Qual seria o segredo do seu estrondoso sucesso no Marketing Político? Eu ousaria citar só três: 1) seu respeito à máxima de David Ogilvy: "Comunicação não é o que você diz; é o que os outros entendem". 2) O horror de Duda ao ditado que diz "que o importante é competir". E 3) do fato dele ter transplantado e adaptado para o marketing político experiências bem sucedidas da propaganda. Mas sabendo separar, muito bem, cada uma dessas linguagens.

Em especial, utilizar no marketing político aquelas que sempre foram suas armas na propaganda comercial: a emoção bem dosada, a ousadia pertinente, a conceituação precisa.

Considerado o renovador do marketing político brasileiro, é o publicitário com maior número de campanhas eleitorais realizadas no país. São mais de 45, em apenas 25 anos.

Duda ajudou a eleger de tudo: de presidente a prefeito, de senador a vereador, de governador a deputado.

Mas a sua primeira vitória de expressão nacional é conseqüência do trabalho de reconstrução de imagem e vitória eleitoral de Paulo Maluf em São Paulo. E o seu maior feito internacional são os contratos com políticos argentinos, entre os quais Carlos Menem e Eduardo Duhalde, para quem criou esta pérola: "En tiempo de crisis se necessita decisión."

Essa mesma capacidade de realizar o que parece impossível, essa coragem de aceitar e vencer um desafio insuperável para muitos, Duda voltou a demonstrar, ainda, em 2001, quando topou criar e dirigir uma certa campanha presidencial em 2002…

Ano passado, Duda Mendonça consolidou o nível do conjunto de sua obra com duas conquistas que inspiraram a Diretoria e os Conselhos da ABP a lhe conceder, sem qualquer hesitação, o Prêmio Comunicação de Personalidade de 2002.

Primeiro, com a gigantesca contribuição que o seu trabalho deu à imagem da propaganda brasileira ao gerar empatia e audiência para o fato político narrado como se fosse uma conversa entre vizinhos.

E, segundo, não há como negar que foi o talento e a sensibilidade publicitária de Duda Mendonça que permitiu aproximar - sem medo - o candidato Luiz Inácio Lula da Silva de todas as pessoas em todos os cantos do território nacional.

Dando-lhe, por maioria até então inimaginável de votos, a Presidência da República.

E que Lula, diga-se em nome da verdade e respeito aos que atuam com dignidade, vem exercendo com a rara virtude da persistência, com a simplicidade que mais o identifica com o povo, e a coragem de fazer o que é necessário e possível, no momento em que vive o país. Provando que a publicidade quando não é verdadeira tem pernas curtas.

Hoje sente-se a ABP particularmente honrada em poder homenagear o publicitário Duda Mendonça com o título de Personalidade do Ano do Prêmio Comunicação 2002. Afinal, é a primeira vez que um profissional de Criação publicitária leva este título.

Caros colegas,

Sou daqueles que nunca concordou com a idéia de que a propaganda é a alma do negócio. Sabemos que ela é parte importante, sim, mas não a única, do mix de instrumentos de comunicação com o consumidor.

Mas não posso deixar de lançar o repúdio da ABP aos arautos modernosos que, passando de 8 a 80, ou de 80 a 8, tem a petulância de considerar a propaganda algo irrelevante no mundo de hoje.

As empresas e pessoas recém ungidas com o Prêmio Comunicação 2002 são a prova mais definitiva de que é impossível aprofundar a relação de consumidores com as marcas sem a propaganda; mesmo que ela não seja contínua ou que, vez ou outra, ocupe espaço menor no conjunto de instrumentos a que o marketing tem acesso hoje.

Senhoras, Senhores

Esta é uma festa de alegria, de esperança, a começar pelos critérios de escolha dos homenageados. Uma festa que renovamos a cada ano, lembrando, como o poeta Drummond, que "quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar, que daqui pra frente vai ser diferente."

Para acelerar a direrença nos 12 meses que começam agora, a ABP quer dar forma, fama e conseqüência a um fato encantador: pesquisa da California State University recentemente publicada pela prestigiosa revista American Scientist apontou, entre 23 grandes cidades internacionais, o Rio de Janeiro como a cidade mais cordial do mundo.

Como o nosso desafio aos que ameaçam esta cidade, este estado e este país com o seu desamor, é com orgulho que anuncio a criação do Grande Prêmio da Paz já para o próximo 28º Festival Internacional de Publicidade do Rio de Janeiro, que a ABP promove anualmente.

Aprovado pela Pathways to Peace e a We the Peoples, ambas organizações da ONU, e sob a orientação da ONG brasileira Conscius, a proposta é estimular anunciantes, agências e produtoras a criarem mais e melhores mensagens publicitárias relacionadas ao tema Paz.

Ampliar a consciência. É assim que a propaganda pode contribuir para a paz social.

Muito obrigado.

 

(voltar ao topo)