Traído mais uma vez pelo coração, morreu o poeta Luiz Carlos Guimarães. Foi surpreendido ao cair da noite, depois de uma tarde com os amigos, em Natal. Conversaram sobre a Poesia e sobre o mundo. Seu último dia foi o dia de uma tarde alegre, neste final do mês de maio e que ficará como uma mancha de luto na lembrança de todos nós, seus companheiros na vida.
Luiz Carlos era gentil e generoso, inteligente e calmo. Seus olhos muito azuis irradiavam a bondade de uma alma serena. Fomos amigos desde o tempo de adolescentes, quando éramos estudantes em João Pessoa e a Poesia nos revelou a sua intensidade. Luiz Carlos foi um poeta que nunca se afastou da poesia. Deixou uma obra que não é volumosa mas importante e de grande riqueza.
Ele gostava deste verso de Edna St. Vicent Millay, em tradução dele mesmo: mais preciosa era a luz em teus olhos do que todas as rosas do mundo. Vale lembrar, neste momento.
Nei Leandro de Castro foi um dos amigos que passaram com ele sua última tarde. Recebeu em mensagem o seguinte poema de Thereza Christina Motta:
A morte de um poeta
Nei,
A vida vale pelo que tem de mágico,
de abismo,
de espanto.
Vale por seus medos, seus desejos,
seus afagos.
Se ela termina aqui por qualquer acaso,
em outro lugar continua a existir perenemente,
sob um céu que não vemos
e um sol que nunca queima.
Um poeta vive sempre por seus versos
que os que ficam
semeiam e cuidam.
Somos apenas semeadores de palavras.
Se algumas crescerem, terá valido a pena
ter existido.