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QUANDO BROTAM AS BORBOLETAS
R. Leontino Filho
Seu nome: Artur Fergus, a junção
dos homens extremamente fortes, a relutância em unir os dois
nomes ou mesmo em usá-los, por isso, gostava de ser chamado
apenas de Fergus, a origem saxônica denotando o homem virilmente
forte, não que Artur, de significado parecido (homem forte),
nome bretão, fosse feio, simplesmente achava mais encantador
e atraente Fergus.
Toda esta narrativa seguirá a trajetória amorosa deste
personagem, concebido nas entrelinhas das emoções,
forjado pelas almas profundas do esquecimento, plantado na tradição
do poder - o insensível viajante, o andarilho desapaixonado
que esbarra quase sempre no receio das palavras.
Fergus tinha tudo para não cair em armadilhas: notícias
de trágicos amores, mortes súbitas - coragem desafiando
corações - sangue rebelde, aparência estonteante:
belos olhos
(solenes e meigos - agressivos, quando necessário), reluzente
cabeleira negra, às vezes castanha clara, vez por outra,
dependendo da ocasião; altura que agradava a muitas pessoas:
as mulheres altas não reclamavam, as baixas adoravam, as
medianas palpitavam de prazer - entendiam elas, o instante sereno
do ser humilhado, fechado em si; entendiam os sopros permanentes
na arte, no jogo do amor. Fergus, o de lindos lábios, de
nariz adunco, desfilava soberbo entre as mulheres, quando não,
fazia suspirar alguns similares seus. Certamente, algo de errado
estava por acontecer com aquele fogoso senhor de meia-idade, chamado
Fergus; meia-idade recriada por ele próprio, pois, a juventude
brotava dele, seguramente estava amparado nas insinuações
de seu corpo e de sua mente. Forte, muito forte, a primeira das
conclusões. A segunda vinha do signo: touro, sem comentários
subjacentes. A terceira das conclusões: seu temperamento
irônico, mordaz, sarcástico, subterraneamente crítico,
porém, o velho dito: "... o feitiço vira sempre
contra o feiticeiro", monotonia - palavra nula no dicionário
de Fergus, tão afeito aos vocábulos, tão arraigado
às origens, claro, ele concentrava suas atitudes em variadas
máximas, de preferência latinas, não poderia
ser de outra forma.
Assim, olhando tristemente para os passos deste personagem, os espaços
serão reconhecidos, seguidos palmo a palmo e ninguém
desconfiará da veracidade traiçoeira que reside bem
debaixo das estórias, pedras amotinadas nos destinos de cada
pessoa, rolando contradições, desfazendo mistérios,
puxando os ecos feridos do território vazio que é
o sentimento inexplorado da ausência amorosa. Então,
contar, o interessante nisto tudo é contar, colecionar estórias.
Apreensivo. Não recuse os delicadíssimos detalhes,
as causas mais nobres se constituíram por intermédio
dos retalhos - peças brilhantes depositadas aqui.
A audácia do homem nos bastidores das lágrimas - mulheres
- a furiosa revelação moldada à consciência,
atrás, a transitória lembrança, o presente
é milhões de vezes mais difícil, o passado
e o futuro se dissipam, vencidos somente pelo olhar. Ninguém
suporta comparações temporais. Divino sentimento,
esta tríade: ontem, hoje, amanhã - maravilhas caçando
esperanças. Ninguém se esquiva do prazer, a perfeição
do tempo se constrói no presente, no hoje - transmissão
solidária vasculhando os registros antigos, visitando passagens
futuras - o hoje, este é o elemento que vale. A partir deste
momento, Fergus ganha novo impulso, pode parecer passado, sempre
tudo se parece, mas abrigar corpos: uma delícia - nunca se
transmite a liberdade girando nos parafusos das punições
presentes. Daí, toda a narrativa ser feita presentemente,
jamais o agora foi vencido, já que repousa na imitação
atemporal do infinito.
Fergus estava certo: os desastres do corpo são certos cortejos
de fracassados amores, desespero e sede, luxúria, cega luxúria,
religião derramada nesse juízo artificial. Certas
lembranças são presepadas que fazem crescer velozmente
sombras disformes. Sim, Fergus sabia: tudo se multiplicava junto
de si. Sim, Fergus conhecia: muitos segredos e revirava seus pertences.
Foi assim, para ele, lembram-se das máximas? Primeira e mais
querida: "Scire est reminisci".
E aparece a derradeira mulher, o final antecipado, traços
antipoéticos desmantelando sua carne e sua verdade. Como
fugir? Retrovisores correndo memória abaixo! Como dispensar
o encanto? Bugigangas inventando a calmaria! Toda fortaleza traz
muita fragilidade - itinerário modificado sobre os naufrágios!
Como interromper os comboios imaginários que transportam
as ilusões? Só mesmo invertendo a ordem, cedendo ao
espetáculo final. Surge o último amor - primeiro caminho
anunciando as iniciais investidas, também ardentes - (urgentes)
invenções. Entra em cena Sofia, a sabedoria grega,
o batom avermelhado, a blusa convidativa, o recuo intransponível.
Sofia, risinhos amáveis, seios prontinhos, e Fergus a te
adorar, a esquecer seu jeito antipoético, seu jogo antipático.
Sofia e Fergus inventando versos, poetas da antipoesia, mudos frente
a frente, colidindo com a felicidade...
- Sofia, teus dedos imolaram o meu rancor
e as tardes acontecem, seguidamente, belas para mim, desde a tua
chegada.
- Quanta amabilidade! Palavras de Sofia.
- Não, quisera me perder no teu hálito fresco, emborcando
todas as sensações amargas que residem aqui, dentro
do peito!
- Feliz de ti, amado, que vives o desmesurado convite registrando
a pressa infindável dos desejos.
- Sofia, ser em ti, nada mais.
* * *
Diante das ameaças, foram se descortinando
os outros traços da personalidade de Fergus, sentenciado
pelas amarguras, diminuído pela ansiedade buscava espelhos
de si em Sofia e escrevia, refletido na lâmina de uma fábula:
para Sofia
Silêncio
o cio dos corpos
pelos atalhos
do quarto
Incrível: mas, o fim também termina, convicto disto,
Fergus carregou sua morena Sofia até o anoitecer de seu desespero
- ciúmes chamando, prematuramente, sua preguiça infantil
- curiosidade lastimável, perda desenhada em telas manchadas
pela lentidão da distância.
De Sofia - ausência do tédio - a mais sublime lembrança,
porém, o começo, o resto do fim. Nova, que graça!
Máxima: "Nec Plus Ultra".
Fergus descansava os papéis, fortalecido, quando a metade
resolveu quebrar a sua rotina. Manhã cinzenta, tristeza solta
em sua alegria. Ainda a reminiscência de Sofia, prisioneiro:
- Deus, se todas as prisões fossem de amor... amaldiçoava
a liberdade. Vinha ao meio, fazer o colar. Nunca o imaginem mulherengo,
apenas apaixonado. Dez horas e o retrato pela metade se completou.
Sábado, escreveu para guardar, quem sabe, cartas não
apareceriam depois. Outra palavra, outra emoção: Agnes,
castidade ventilando a obra-prima da beleza. Nome germânico
contrastando com o olhar de lírico encanto. E ele, o antipoético
personagem, rabiscou:
dedicado à Agnes
Bendito
seja o teu corpo
a se abrir
para o meu
- Já estive lá. Hoje, abandono os próximos
momentos e te pertenço.
- Nunca o feitiço se estirou sobre mim, porque sempre levantava
a vista e repetia palavras, suplicando a Deus contra as tentações.
Ah, Fergus! Todavia, sou nesta hora, vizinha de uma geração
tentadora, penteada pela imutável lembrança de Eva.
- Agnes, a realidade é própria da incoerência,
e você, a aparição fragmentária de minha
matéria.
- Não, somos o pânico germinando o alimento dos homens.
- Ah, Agnes! Só sei da ordem visível. O invisível
transborda, longe de mim.
- Amado, somos vegetais translúcidos respirando o exílio.
Também, os corações calçam flores e
podem fazer voltar o tempo.
- Coisas se ligam, antecipando os restos dos dias, usando as cinzas
do sexo.
- Entregues ao frio, certos objetos explodem, explodimos.
- Os planos perfazem as origens deste encontro e as coisas escavam
o centro de nossas possibilidades. Desde o início, o milagre
da conquista aflige a minha intensidade... te amar é decifrar
a existência e a solidão.
- Querida, levanto das ruínas e comunico elementos novos...
te amar - minha tatuagem ! . . .
Fergus e mais uma cicatriz, e não esqueçam: a do meio.
São três intenções, três movimentos.
Percorrendo toques de Agnes, mais saudade, parto cuidadoso, lagoa
perfumada brilhando em seus olhos, curto-circuito penetrando em
seus pensamentos. Cuidado. De Agnes, a imagem: lençóis
impregnados de vício.
Apesar das andanças, o princípio é o acordar
felicíssimo das manhãs. Sendo assim, trabalhar é
preciso, a desordem é necessária, a visita ao passado
muda os nascimentos. Quem suspendeu todos os beijos? Tapeiam a insatisfação
e esquecem que a cadência das horas jamais perdoa. Quem bagunçou
com as agonias? Nada insinua o desaparecer do primeiro amor.
Nenhuma teoria, apenas a inscrição do solitário,
forte (já não se sabe), Fergus, vivendo a perfeita
harmonia de sua herança inicial. Chamava-se Priscila, finalmente
o latim, significando a de meia idade, semelhança ou não,
o espírito dos anos se desencontrando, o sossego natural
existia entre os dois, um só corpo. Antes, tudo: texto, céu,
vida, morte, bomba, átomos, diamante, rio, sol, força,
mineral, fogo, terra, ar..., arbítrio desunindo o sono irregular
do mundo.
Se se quisesse recordar não conseguiria, a fotografia antiga
era plena, no entanto, as colisões gritavam, grandes gritos
destruindo o filme, órfãos daqueles brinquedos (todos
partidos). Alguma coisa não havia sido mutilada. Priscila
gostava de amar à meia-luz, adorava os beijos, as carícias,
os sussurros, os tropeços de Fergus, desajeitado com o gás
néon das aparências. Priscila, fome e ânsia mutilando
o abismo nascente deste homem. Lâmpadas quebradas chutadas
pela traquinagem da recém-parida paixão.
Na dureza, a antipoesia já pairava interiormente em Fergus.
Tentou abater os abraços naquela violência, engrenada
pela contradição dos movimentos. Cabeça aturdida,
o verbo
rezou, o papel guardou:
à Priscila
com toda ternura, amor e paixão
Olhares cúmplices
se encontram
na penumbra do dia
de quem te adora - A. Fergus
Então, ele, cotidianamente, revia através dos drinques,
dos tragos, suas mulheres, opacas células rindo desta transparente
revelação. Apressado, pinçou mais uma máxima,
dobrou seu orgulho, vestiu todas as suas antíteses agregadas
ao amor e sobreviveu com as três, nunca esquecidas, afinal
de contas, para Fergus: "Amor Omnia Vincit". Mas, o renascimento
tinha a cara suja, decepcionando, aqui e acolá, a enorme
solidão, aquela certeza vestida pela indefesa incongruência
de seus passos.
Necessitava dissecar as tolas omissões. Agora, borboletas
coloridas enfeitavam o seu quarto, levantavam vôo, entreabrindo
o fecundo crescimento de sua vida.
Pegou três retratos, olhou-os, feliz. Além, viu nascer
um novo impasse, uma outra procura. Amou o gesto sintético.
Antes, se despojou das emoções passadas. Caracteristicamente,
leu as cartas (bilhetes avulsos) e sonhou.
COM A NOITE
R. Leontino Filho
A noite chega, depois de mais de 29.200 vezes,
as estrelas se modificam. Ter oitenta anos não mexe apenas
com o corpo e o espírito, mexe também com os astros.
Ter oitenta anos é ser um pouco astro (meteoro perdido na
fila do espaço), estrela cadente louca pelo mar. Começa-se
a siderar idéias, a pensar mais, a ler melhor o silêncio
do próximo, a ser mais incompreendido, a enxergar mais longe
a brancura da vida, a ser.
Geralmente, a sobra de tempo me aterroriza, morrer passa a ser a
correspondência interceptada pela voz desenterrada do dia
seguinte; sempre imagino a delícia que é não
ter nada por fazer, ninguém a esperar, fila a enfrentar,
estátua imune a tudo e a todos; sempre me imagino vivendo
mais um dia, de supetão, seguro as emoções.
Ter a sinceridade dos sonhos, conformar-se à cirurgia do
novo. Ter oitenta anos, no sétimo dia, cansa. Novamente sozinho,
sinto a pele invadindo amores, hálito superaquecido de fingimentos.
Foi então que, à noite, de braços com a imaginação,
fiz detonar as tintas do passado, tirando as roupas mofadas da juventude,
as cobertas da crença atropeladas em campo aberto, vida longa,
anos por viver, e num grito de guerra, escrevi - pirata de mim mesmo,
o sublime e generoso ato desse legível exército que
é a história:
Da minha cidade, 1° de janeiro de 19??
Querida Lara,
Resolvi tornar nossas as lembranças;
de mim, aquele jovem, perspicaz e corajoso guerreiro, resta o normal.
Entusiasmado, passo as horas na livre tarde dos dias, a misturar,
quantas vezes for preciso, os anos que perdemos. A longa viagem
dos nossos corpos, grandes peregrinos que suportaram as blasfêmias,
bebida amarga a rasgar gargalhadas no ventre. Tropeçamos,
sim, porque cair faz parte do jogo, porque amar é eternamente
cair.
Resolvi assumir os sustos. Você foi sempre o meu susto predileto.
Afinei minha fé, e só vislumbrei o pecado, incerta
companhia deste inverno, morador dos recantos, tantas vezes caótico.
Fogo-fátuo de nós. Hoje, aliso os raios das recordações,
tudo tão doloroso. Do jovem, ao esquálido corpo octogenário,
ser velho - contramão do mundo. Acredito na sabedoria e exclamo
para todos:
- Profunda razão é ter oitenta anos.
Havia, certamente, entre nós, total cumplicidade, daí
a perdição, as agitações, as frustrações
e as angústias das leituras amorosas. Assisti a tudo, triste,
com espanto e íntimo de mim mesmo. Você, naquela tarde
de hoje, sim, a solidão é a raça momentânea
da espécie humana.
Você corre perigo. Eu corro perigo. Oito décadas é
demais. Paciência imortal da história, portanto, querida,
releve cada página de inocência perdida, passe a língua
sobre mim e verá que a trágica vontade de ser feliz
transforma-se na voracidade de cupim ou na orgânica fome das
piranhas.
Eu, consciência do triunfo, credibilidade das formas.
Você, amarga saciedade da testemunha, dói, o intuitivo
instante, porém, passada a solidão de oito décadas,
ainda suporto o tempo frio do amor.
A minha condição, secular ou não, é
amar, de preferência, você. Resignada marca da vida.
Querida, sua resposta é inevitável, nem que seja daqui
a mais oitenta anos, esperar, na velhice, é tornar as coisas
possíveis no melhor da impossibilidade.
De qualquer forma, responda-me, uma página, um bilhete...
sequer. Faz frio, o corpo dói, agradavelmente, da janela
avisto você, que não chega para sermos felizes. Outras
visitas, fantasmas escapam. Responda-me, pois, a casa envelhece
junto: ainda bem.
Juro não mais perseguir o seu desejo. Apenas responda-me.
Um, dois, três, quatro... o abraço.
Um, dois, três... o beijo.
Um, dois... oitenta... o amor
de Lino
Endereçar, postar, esperar. Esperei.
A espera foi curta. Eficiência dos tempos. Rasguei o envelope
e li:
De algum lugar, 31 de dezembro de 19??
Lino, doçura,
Diferente do burburinho de sua cabeça,
penso com o coração. Ulula em mim o frêmito
da paixão. Estou atenta ao jogo. Temo apenas que ele tenha
terminado. A vantagem do fim é o tempo que corre. Desertar
não interessa. Penso com o coração. Da arquibancada
do futuro, vejo a impossibilidade do nosso encontro. Não
tem problema. Calo no amor.
Juro, de repente, desligar o punhado de lembranças que me
prende aqui. Avanço e preparo-me para o despertar. Tarde
ou cedo, não importa. Você e as suas décadas,
gosto alheado do imaginário. Penso assim,
Derrubo as cercas
e digo-lhe do meu
amor dublado
do inicio ao fim
do fim ao inicio
Com amor
Lara
A noite some, o inventário da velhice
é a minha solidão. Não sei do caminho, dos
próximos passos, não jogo a toalha, as minhas vestes,
quinquilharias de um sono que perturba e metralha ilusões.
Não sei do caminho, dos próximos desencontros, não
entrego os pontos, as minhas maldades, feras acobertadas pela maciez
das palavras. Sei do meu inventário sonâmbulo:
Velhice é asilo. Solidão. Cartas
marcadas na mesma mesa. Os gestos inconclusos, a sede imorredoura,
o gosto de partir.
Velhice é fuga. Calmaria. Jogo sem fim no mesmo campo. As
cruzes aumentando, os quilômetros adversários da estrada
que não acaba.
Velhice é aqui. Gozo. Partida de xadrez na cela da vida.
Os corpos apagando desejos, quadras sem estilo, o mesmo movimento
do rei, som igual.
Velhice é hoje. Lembranças. Flores murchas na intimidade
das mãos. Cidades desconhecidas, moinhos pairando na mente.
Reencontros.
Velhice é busca. Loucura. Filmes antigos, rew do vídeo,
fotos gastas pelo pó sem FF de esperanças. Garatujas
amarelas no papel.
Velhice é queda. Rugas. Passos trôpegos pelas calçadas,
apoio e incompreensão. O mesmo horário, rotina de
igual tempo.
Velhice é esquecimento. Desprezo. As aventuras felizes dos
dias, o passado que não condena, o que se viveu com prazer,
sempre.
Velhice é memória. Dor. As doações familiares
de um tempo débil, pregadas no varal da noite. Os outros
são deveras hábeis.
Velhice é sono. Projeto. Sonhos na calada do peito frágil,
utopias sangrando para a última viagem. Sorriso pasmo e amarelo
com destino incerto.
Velhice é ser. Penumbra. Amanhecer de outroras. A vertigem
do ontem lambendo a cauda do amanhã... É velhice a
incerteza do trajeto.
No endereço da vida, Lara e a noite.
Na agenda da morte, Lino. Eu e as tramas de cada notinha. Eu e Lara,
pássaros da mesma árvore, animais da mesma sede. Lara,
perdida pelo inventário da noite, a noite de outras comidas.
(topo)
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