Claudio Sendin
O mundo está cheio de entidades,
ONGs e instituições que lutam pela paz. A palavra
PAZ é estampada em todos os lugares, desde camisetas até
painéis luminosos. Eventos coletivos são promovidos
em nome da paz. Compositores musicais de todos os gêneros
cantam a paz.
Ainda que toda a humanidade corra atrás
dela, a paz não é alcançada. Ao contrário,
a guerra é uma constante, embora ninguém diga que
a deseje. Nenhum líder mundial ou Chefe de estado jamais
afirmou desejar a guerra. No máximo, a consideram um mal
necessário, o último recurso para se resolver um
impasse, e, depois de vencê-la, chegar à paz.
As guerras têm na dominação
a sua causa básica e verdadeira. A mais sofisticada forma
de dominação, a econômica, é exercida
pelos países mais desenvolvidos sobre os menos, e, desde
que esses não se curvem, ou, melhor dizendo, insistam em
defender muito bem as suas riquezas, criam impasses para o país
dominador, que, muitas vezes, têm como único caminho
o confronto direto, a guerra.
Quem inicia o processo da guerra pode ser
uma única pessoa, num país totalitário, ou,
em países democráticos, um pequeno grupo de pessoas,
que, por terem sido eleitos, adquirem o poder de se expressar
em nome do país, mesmo que as pesquisas revelem opinião
contrária da população.
Porém, a democracia não dá
a esse pequeno grupo o poder de tomar tal decisão, sem
a aprovação dos chamados meios legais, isto é,
de alguns Órgãos e Conselhos, de acordo com a Constituição
de cada país.
Para isso, o verdadeiro motivo da guerra
a dominação precisa ser mascarado com outro mais
aceitável, transformando a causa da guerra, até
mesmo na 'luta do bem contra o mal', como afirmou recentemente
o líder da superpotência, antes do massacre que instituiu.
Com a ajuda imprescindível da mídia, o inimigo será
pintado como um terrível monstro, que ameaça a paz
da região ou do mundo e que precisa ser extirpado.
Busca-se, desta forma, a cumplicidade de
toda a sociedade, ignorando a absoluta contradição
com princípios religiosos, que pregam a paz, adotados pelo
próprio grupo que promove a guerra. Finalmente, conseguido
um bom motivo, a guerra poderá ser proclamada, de maneira
bastante 'civilizada' e 'sem ferir os padrões morais e
democráticos'.
É incrível nunca se ter cogitado,
diante de uma decisão tão grave, que envolverá
a vida de todos, realizar um plebiscito, para que a população
opine.
Portanto, a guerra consiste num ato de dominação,
decidido por poucas pessoas que detêm grande poder, ainda
que, muitas vezes, no decorrer do conflito, ganhe a aprovação
de parte considerável da população, influenciada
pela propaganda, e também pelo aguçamento do seu
lado heróico, ao saber de seus conterrâneos, mortos
no front.
Por outro lado, cada uma das pessoas que
decidem a guerra se diz a favor da paz. A paz existirá
depois de alcançado o objetivo, ou seja, satisfeito o desejo
de dominação. Só que esse desejo, por ser
constante, logo criará nova meta a ser alcançada,
que poderá gerar outro impasse. Aí, a paz será
novamente posta de lado, e se fará outra guerra.
Todos desejam a paz e promovem a guerra.
Não apenas os dirigentes das nações. Eles
agem exatamente como a maioria de nós, apenas dispõem
de muito mais poder. É uma escala ampliada.
Se prestarmos atenção, todos
nós, em todas as sociedades, somos, desde crianças,
educados para a guerra. A guerra do dia-a-dia é a competição,
que começa nas disputas de liderança entre os alunos,
nas escolas; na luta pelos cargos de chefia, entre os funcionários
das empresas; na luta para ganhar o cliente da concorrente, entre
as diversas empresas. Nas religiões, na política,
nos esportes, no trânsito, dentro ou fora de casa, no campo
ou na cidade, em qualquer país, democrata ou não.
Enquanto, em todo o mundo, predominar a
competição sobre a solidariedade e o altruísmo,
a paz jamais será alcançada. Por mais que se formem
grupos, organizem passeatas, pintem faixas ou joguem bombas, em
nome dela.
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