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Juventino na malhação
Jorge Fernando dos Santos
Meu compadre Juventino resistiu o quanto pôde,
mas depois que ocardiologista entrou na história, não
teve mais argumentos contra os inimigos do sedentarismo. Quando
a Terceira Idade começou a demonstrar que veio mesmo para
ficar, ele não viu outro remédio senão se matricular
numa academia de ginástica, ali na Savassi.
Desde então, como admirador confesso
da geração saúde, Juventino passou a malhar
duas vezes por semana em vários
tipos de aparelhos. Quando acorda disposto, também faz uma
boa caminhada nas Mangabeiras para rebater o sono, além de
bater, diariamente, uma tigela de açaí.
Mas o que realmente pesou na balança para que ele aderisse
de corpo e alma à prática de exercícios físicos
foi a presença de lindas jovens na academia que tem freqüentado.
Loiras e morenas, muitas com idade para ser suas netas, são
companhias interessantes que estimulam sua libido e despertam certosenso
de perversão que há alguns anos estava adormecido
no seu ser.
Juventino convenceu-se de uma vez por todas que a presença
de lindasmulheres fazem bem à sua saúde e masculinidade.
Mesmo depois dos 60, descobriu que seu espírito tem só
30 anos e que, enquanto há vida, há esperança.
O resultado de tanto estímulo é que até a minha
comadre voltou a sorrir. Dia desses ela confessou à minha
mulher que fazia muito tempo que
Juventino não a procurava com tanta freqüência.
Na semana passada, meu bom compadre encantou-se com uma linda garota
de seios grandes e firmes feito melões. A moça tinha
olhos verdes e cabelos ruivos, mas o que mais chamou a atenção
do veterano don Juan foram as curvas do corpo de um metro e setenta
de altura.
Enquanto ela utilizava a esteira,ele pedalava
na bicicleta ergométrica sem tirar os olhos do bumbum de
feiticeira à sua frente. Fosse uma bicicleta de verdade,
Juventino na certa
teria atropelado alguém ou entrado, literalmente, na traseira
de um ônibus, tamanha a sua concentração naquela
escultura de carne, obra-prima da mãe natureza.
Lá pelas tantas, o monumento esportivo
trocou a esteira pelos supinos e Juventino nem acreditou no que
estava presenciando. Ele mal conseguia erguer pesos de 20 quilos,
enquanto a boneca colocou nada menos que 33 quilos em cada braço.
Os bíceps da gata ficaram rígidos, estufando a malha
cor-de-rosa, o que fez meu compadre se lembrar dos braços
de Christopher Reeves no filme Super-Homem.
Peso sobe, peso desce, Juventino começou a desconfiar que
alguma coisa não fazia sentido no que ele estava vendo. Quando
a moça terminou a sessão de ginástica, ele
não se conteve e procurou fazer contato.
Na porta dos vestiários, aproximou-se
dela e foi logo perguntando há quanto tempo a gata freqüentava
a academia. Há dois anos, respondeu a moça, timidamente.
Então
esse é o motivo de tanta força e disposição,
ele deduziu, para depois se apresentar. Muito prazer, disse a moça
estendendo a mão. Eu me chamo Antônio Carlos, mas pode
me chamar de Cacá. A gata era um tigrão em pele de
cordeiro e Juventino quase gemeu com o violento aperto de mão.
Desde aquele dia, eleretrocedeu para a vida
sedentária e anda dizendo que malhação é
coisa de boiola.
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