
Você acredita em Deus?
Claudio
Sendin
Quando me fazem essa pergunta, acho
muito difícil responder simplesmente sim ou não.
Gostaria de explicar por quê.
Costuma-se dividir as pessoas em dois
grupos: os materialistas, ateus, que não admitem sequer
pronunciar a palavra Deus, e os crentes, religiosos, ou, pelo
menos, simpatizantes de alguma religião. O conceito de
Deus é, inevitavelmente, ligado à religiosidade.
Não, para mim. A meu ver, Deus
não pertence a nenhuma crença ou religião,
não é um ser,
nem uma entidade, nem uma força. Deus não ama, não
perdoa, não protege nem condena.
Acreditar em Deus, a meu ver, é assumir uma postura humilde
diante do fantástico e constante movimento do Universo,
do qual somos uma partícula
infinitesimal. É reconhecer a limitação do
conhecimento humano.
Deus é o grande mistério, jamais desvendado, da
Natureza e suas leis eternas e imutáveis, que regem o Universo,
num processo automático e contínuo, a cada instante,
durante toda a eternidade. Leis que não dependem de nada,
de vontade nenhuma, de nenhuma determinação, nenhuma
prece ou magia, para que se cumpram.
O conhecimento delas é cobiçado, desde o momento
em que o primeiro homem olhou para o céu e percebeu as
estrelas. É perseguido, tanto pela Ciência quanto
pela Religião. Ambos pressupõem, orgulhosamente,
cada um a seu modo, um profundo conhecimento dessas leis. Mas,
se atentarmos bem, veremos que, em toda a existência da
humanidade, aprendemos muito pouco.
Há cerca de 300 anos, Newton enunciou leis que pareceram
dar ao Homem um enorme domínio da Natureza. Porém,
a Ciência já provou que não estavam absolutamente
corretas. Como Einstein mostrou que a distância entre dois
pontos nem sempre é, como nos parece óbvio, a linha
reta. Postulados tidos como intocáveis, são superados
e destruídos, de tempos em tempos.
Isso mostra que o ser humano somente consegue dominar fragmentos
das leis da Natureza, nunca as conhece inteiramente, ainda que,
com esse pequeno conhecimento, possa realizar as maravilhas tecnológicas
atuais. Quem sabe, daqui a 500 anos, tudo isso será tão
rudimentar, como agora são as trapizongas produzidas na
Idade Média?
Talvez no futuro, a Ciência já esteja manipulando
fenômenos que atualmente não consegue explicar, como
os da paranormalidade; ou milagres, para algumas religiões.
Se tentássemos, na Idade Média, descrever a televisão,
provavelmente seríamos taxados de bruxos. Assim, acredito,
as bruxarias, juntamente com os milagres, ou todos os fenômenos
paranormais, mais cedo ou mais tarde, engrossarão os livros
científicos. Só precisam ser superados alguns postulados
atualmente aceitos cientificamente, o que se dará a partir
de novas descobertas, de outras facetas das leis da Natureza.
Porém, apesar de o conhecimento científico, pouco
a pouco, arrancar os véus dos mistérios, há
um raciocínio muito simples, que leva a uma pergunta, à
qual nenhum pensador ou cientista jamais conseguiu responder de
modo convincente: sabemos que todo efeito possui a sua causa.
Uma simples gota d¹água, ao cair, produz algum efeito,
que passará a ser causa de outro efeito, e assim por diante.
Retrocedendo-se até a primeira coisa existente, de onde
todo o Universo se originou, qual teria sido a sua causa? Logicamente,
essa causa já obedecia às leis da Natureza (ou eram
essas leis), mas como teria surgido? De onde?
A essa pergunta simples e direta, apesar das várias teorias
a respeito, todo o conhecimento humano ainda não conseguiu
explicar.
Agora, devolvo a pergunta: Você acredita em Deus?
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