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FOGO NA BACURINHA
ou O Senhor dos Anéis, o filme
misógino.
por Clarissa
Passos
Nunca li os livros de J.R.R. Tolkien. Tampouco
sei sobre sua orientação sexual. Mas estou certa de
uma coisa: Peter Jackson, o diretor de "As duas torres",
é irremediavelmente misógino. E, aqui, não
estamos falando de homossexualidade. Almodóvar é gay
e toda sua obra é uma declaração de amor às
mulheres.
O fato é que, durante as quase 3 horas
de filme, praticamente não se vê personagens femininos.
Corrigindo: duas mulheres têm destaque na trama. Uma delas
é uma elfa. Logo, não existe. A outra, sobrinha do
rei, daria tudo para desembainhar sua espada. Alguém aí
pensou em falo?
Mas as mulheres não foram expulsas
apenas do roteiro. Delas, foi tirado o direito maior: o de gerar.
Neste filme-testosterona, um exército inteiro é concebido
sem que, para isso, seja necessário uma mãe. Os gigantes
saem de uma placenta, híbrido de "Alien" e "Cocoon",
já prontos para conquistar o mundo.
E a revelação maior ainda está
por vir: segundo a concepção estética de Peter
Jackson, todo o mal do mundo reside em uma enorme vagina incandescente.
O que nos leva de volta à Almodóvar. No filme "Fale
com ela", o diretor espanhol também usa uma vagina de
forma alegórica. Mas o que ele faz? Cria um homem pequenininho
que, indo morar dentro da mulher, garante à moça um
gozo eterno. O que importa, aqui, não é o tamanho
da torre. Mas o prazer que ela pode proporcionar.
Se Peter Jackson tivesse carregado um pouco
menos nas tintas, "As duas torres" teria se tornado um
inesquecível filme romântico. Com Frodo e Sam correndo
nus pela floresta encantada.
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