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Editora Globo S/A., autoriza
em caráter não exclusivo, a publicação
do texto de orelha de autoria de Fábio Lucas, publicado no
livro A SANTA DO CABARÉ, no site WWW.UMACOISAEOUTRA.COM.BR".
A supracitada autorização só terá validade
com a publicação da
seguinte menção de copyright:
© 2002 - A SANTA DO CABARÉ by Moacir Japiassi Lins/Editora
Globo S/A.
Atenciosamente,
LENILSON VICTORINO
Gerente de Apoio Editorial
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Estamos publicando em primeira mão
a apresentação do crítico Fábio Lucas
para A Santa do Cabaré, romance de Moacir Japiassu
que está sendo publicado pela Editora Globo. O lançamento
será realizado durante a Bienal do Livro, que começa
a 25 deste mês de abril, em São Paulo.
A Santa do Cabaré
Fábio Lucas
A santa do cabaré nos leva à
juventude do romance, quando o objetivo do narrador era simplesmente
entreter e divertir o leitor. Moacir Japiassu, deste modo, retoma
a tradição do enredo bem urdido, do vocabulário
rico e apropriado, acessível a qualquer mortal alfabetizado.
Mais: quem quiser ir além da
leitura despretensiosa e emocionante, poderá submeter-se
ao teste do leitor culto e bem informado. É que A Santa
do Cabaré, além de revelar-se um romance de corte
popular, de intensa cor local, atende às exigências
do texto finamente elaborado.
O jogo das palavras, personagens e situações
completa o engenhoso repertório do autor. Protagonistas com
nomes reais, deslocados de seu meio cultural, haverão de
recrear o leitor. Assim surgem o piloto Leonildo Tabosa, o inexpressivo
Alberico Cruz, o debochado Carlos Frederico Werneck de Lacerda Meira,
ao lado de personalidades como o tenente Ernesto Geisel, Otto Maria
Carpeaux, o piloto Saint Exupéry, para não dizer de
romancistas como Graciliano Ramos e Proust.
O milagre da narrativa consiste em despertar,
desde o início, a volúpia de chegar até o fim,
pois o galope da fantasia se entrelaça em mil acidentes inesquecíveis.
O romancista rege uma orquestra de inúmeros recursos, entre
os quais pontilham a aventura, o erotismo aberto, a crendice, o
humor e a trama embaralhada. De um lado, fica o mundo real, o Brasil
da ditadura Vargas, os rigores da seca e do cangaço; de outro
lado, o reino da imaginação. Entrementes, animam o
texto as belas imagens, os conceitos finos, os subtextos jocosos.
Tudo efeito da magia indefinível
com que o autor ativa a presença da fantasia na visão
do mundo do leitor. Romance raro de encantadora linguagem. Retrato
de um Brasil rural, patrimonialista e autoritário, todo ele
mergulhado numa glosa de divertida ironia. A alegoria da santa do
cabaré constitui um dos raros momentos em que o chamado "romance
do Nordeste" se renova. Lugar geométrico da farsa e
da crendice.
(Leia também entrevista
de Moacir Japiassu e crítica
de Marcos de Castro)
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