imaginar os passos
o som lento
a construção da tristeza
imaginar as dívidas
o ritual ancestral
a canção absurda da terra
imaginar os exílios
a saudade farta
a pátria em pedaços
no hemisfério dos olhos
a imaginação passeia
doce migração dos lares
no hemisfério dos olhos
a memória registra o arco-íris
larga solidão dos reinos
no hemisfério dos olhos
o poema desencarna
fria calmaria dos becos
a língua no hemisfério dos
olhos
nem imagina as migalhas de culpa
cuspindo vícios
rachando cabeças
afogando sombras
a lágrima no hemisfério
dos olhos
nem imagina os restos de sonho
moldando passos
devorando sentidos
borrando tristezas
imaginar todo hemisfério
é revolver o inverso dos olhos
tudo descontar, à revelia
separar pedaços de crepúsculo
misturar pousos
romper acordos
todo hemisfério é
imaginação
inocência gasta
v a d i a